dimanche 31 octobre 2010

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V. me invade. Sempre que nos encontramos ele é a força da natureza que nunca pede licença, que entra de uma vez, sem respeitar normas ou regras. Ele tem esse magnetismo nos olhos, uma eletricidade nas mãos que faz com que minhas pernas estremeçam e que eu aceite tudo o que ele quer, sem pensar em certo ou errado ou socialmente aceitável. E eu me submeto, eu me submeto porque tudo isso é o que eu sempre quis, eu sempre quis sentir essa impotência, esse não conseguir resistir. Meu corpo automaticamente aceita o que ele quiser e minha alma bate palmas, histérica, em êxtase, livre de tanta culpa, somente sendo o objeto de seu desejo. E o mundo deixa de existir e, nesse momento, sou profundamente feliz, sou o universo.

lundi 18 octobre 2010

Sofre, filha da puta, sofre mesmo.


Minha preferida do Tim Maia.

Por isso, sofre, filha da puta, sofre. :-)

dimanche 3 octobre 2010

Algum remédio que me dê alegria...


Tem dias em que acordo assim, totalmente assim. Boca, nuca, mão... sabe como é.

Cazuza - Todo amor que houver nessa vida

dimanche 26 septembre 2010

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Man Ray


Pode me chamar de Kiki, Man Ray, pode sim. Sou musa, estou aqui. Pode clicar.

dimanche 12 septembre 2010

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A cabeça perde o juízo e o corpo reclama. Cicatrizes da batalha travada.

mercredi 8 septembre 2010

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Prezado T.,

Por mais que eu tente, eu não consigo esquecer aqueles dias, a forma com que nossas mãos e corpos se encaixavam tão perfeitamente. Não havia nada de especial no que fazíamos (exceto pelo que fazíamos), mas, sempre que fecho os olhos e me lembro, tudo é magicamente envolto por uma aura de faz-de-conta. Mas não foram de faz-de-conta aqueles dias. Eu te amei, eu te amo ainda, mais do que muita coisa que já tive/tenho. Seu corpo achou uma forma muito astuta de se gravar em minha pele e sua voz se embrenhou de tal maneira em meu cérebro, que muitas vezes julgo que estou falando contigo enquanto vou e venho dos lugares, enquanto submerjo no limbo da espera pelo metrô.

Realmente acredito que foi uma combinação perfeita de dois seres imperfeitos, foi a cidade, foram os dias, foi o tempo, foi tudo aquilo que existiu nos dias em que estivemos juntos. E é por todas essas coisas que rezo durante à noite, escondida, para ninguém ver. Você sempre vai ser aquele restinho de esperança que guardarei no fundo do baú, para todos os momentos em que eu achar que estou morrendo e que preciso de alguma coisa para me segurar no mundo. Uma espécie de âncora para fazer com que a falta da lei da gravidade não me deixe flutuar para algum outro universo. E por isso te agradeço, te agradeço por estar sempre aqui dentro, mesmo não estando, mesmo sendo um clandestino na minha vida, mesmo não podendo existir no mundo real. Isso não me importa. O que importa é você aqui e mais ninguém.

E já se fazem cinco anos. Mas a saudade é a mesma, sempre.

Sua,

C.

lundi 30 août 2010

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Joan Miró


Desenhe-me automaticamente, Miró. Eu e as belas linhas do meu pé. Ou do meu nariz. Ou qualquer outra que vc pudesse escolher.

lundi 23 août 2010

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Para bom entendedor, meia palavra basta.

samedi 7 août 2010

Passagem das horas

Há um buraco dentro de minha alma e esse buraco é eterno. Não há nada que possa tampá-lo, nem mesmo as pessoas interessantes que conheço. É como se elas sempre parassem um pouco antes do ponto a que podiam chegar, é como se elas tivessem medo de realmente enxergar o demônio que se esconde dentro de mim. Esse demônio, que é minha irmã e eu mesma, é a coisa mais fascinante que já encontrei na face da Terra. É a pessoa com quem eu gostaria de sentar por horas a fio, é a pessoa quem eu gostaria de ter por perto sempre que eu necessitasse de alguma coisa, qualquer que seja.

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

-- Passagem das Horas, Fernando Pessoa

O que mais me incomoda é a solidão, uma solidão da alma, que nunca se vai. É uma falta de ter alguém que poderia me entender pelo olhar, que poderia me recomendar o livro da minha vida. Tenho diversos amigos, amigos muito queridos e com quem eu sempre posso contar. Mas não é disso que estou falando, estou falando a respeito de uma extensão do que sou, de alguém com quem me comunicaria sem palavras, sem esforço.

E ainda assim espero que minha vida seja salva, e ela é, seja por um filme, seja por uma música, seja por um recorte de jornal.

vendredi 6 août 2010

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Ah, o amor. Quanto mais surrealista, melhor.

samedi 19 juin 2010

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Sinto muito dizer, mas eu não gosto nem de Phoenix, nem de Of Montreal. Ponto.

jeudi 17 juin 2010

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Oh, Diego, vem chupar o meu bigode, vem? Ah! Diego!

(Amo a Frida, amo. Toda.)

vendredi 11 juin 2010

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Werner Herzog reading Where is Waldo?

samedi 1 mai 2010

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Vashti Bunyan - Train Song

mardi 27 avril 2010

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Sim, ali, bem ali. Ali na esquina. Ah.

lundi 19 avril 2010

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Ball and chain, querido diário, ball and chain.

vendredi 16 avril 2010

Hoje sou beatnik

"They danced down the streets like dingledodies, and I shambled after as I've been doing all my life after people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!""

Jack Kerouac, On the Road

dimanche 7 mars 2010

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Rudolf Schlichter

mardi 5 janvier 2010

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Pérolas aos porcos.
Angela Gheorghiu - Casta Diva

samedi 10 octobre 2009

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Encontrei T. esses dias. Um dos Ts pelo menos, o mais antigo.

Foi um encontro há muito protelado, mas que deveria acontecer cedo ou tarde. Nos encontramos no centro, ficamos parados durante horas em uma fila, esperando que ele pudesse dar um jeito em uns documentos. Foram horas muito agradáveis, em que conversamos a respeito de muitas coisas a respeito do relacionamento dele com a mulher, nada que eu pudesse chamar de realmente contuntende ou comprometedor. Ainda assim, eu sabia. Eu conseguia sentir o corpo dele queimando e o sangue chamando o meu nome. Há tempos havíamos nos correspondido, falando a respeito de como a carne ainda se lembrava do gosto do outro, basicamente um canto do cisne, por assim dizer.

Tudo foi muito bem controlado, os corpos se comportaram de maneira desejada, um evitando o outro e o contato ao máximo possível. Creio eu que ambos sabíamos que a explosão era inevitável, mas havia a necessidade de se prorrogar a corte, a sensação de que nada aconteceria. Andamos durante um bom tempo, entre o pagamento de guias e voltas a guichês. Quando tudo havia sido resolvido, fomos almoçar. Naquele momento, ali, bem ali, eu percebi que era tarde demais, que não havia nada a ser feito. O toque de nossos dedos (que buscavam a colher de arroz) foi a derradeira sentença.

O céu escureceu e a cidade (pelo menos a parte em que nos encontrávamos) foi totalmente encharcada por uma chuva torrencial, que não poupou nada, nem muito menos meus pés. Naquela hora, amaldiçoei o momento em que escolhi aqueles tênis tão permeáveis, tão proporcionais à minha vontade naquele momento. Corremos por entre toldos e coberturas, tentando encontrar um lugar menos molhado (devido à nossa falta de guardas-chuvas). E foi ali, embaixo de um toldo vermelho na Liberdade em que me jogou contra a parede e me beijou pela primeira vez (depois de tantos anos).

A necessidade que eu sentia dentro de meu estômago era uma coisa palpável, era um desejo que eu havia guardado junto com os papéis de minha sentença de morte. O gosto do beijo e a forma com que as línguas se digladiavam estava muito apagado em minha memória, o que realmente me animava era a forma com que os corpos funcionavam e se aniquilavam um contra o outro, naquela época tão de antigamente, quando eu era uma pessoa tão diferente.

Entramos no Sebo e nos demos as mãos. Ali podíamos ser quem desejássemos, ainda que isso nos fizesse voltar a catorze anos atrás. Passeei atentamente pelos títulos, fiz sugestões, digressei sobre toda a prateleira dos (poucos) livros eróticos. Expliquei História de O, falei, falei, falei, até a hora em que te aceitei novamente. E entre as prateleiras e entre os montes de livros nós nos descobrimos novamente, ali, entre os corredores eu senti que nada mais era como havia sido um dia. O gosto era diferente, o jeito era diferente, os lábios não eram mais os mesmos, nem eu, nem ele. Os dedos exploraram minhas costas, na seção de Biografias senti-los entrar por minhas calças e mergulhar em minha buceta, sem nenhuma cerimônia, simplesmente escorregando e se instalando, investigando. De lá foram de volta à sua boca, molhados, provocativos.

Inventei uma desculpa e fui embora.